Presidente brasileiro e o Itamaraty reagem ao ataque militar de Donald Trump contra a Venezuela. Governo convoca reunião de emergência para monitorar fronteira em Roraima e impactos na segurança regional.
Brasília — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom neste sábado (03/01) ao comentar a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro. Através de suas redes sociais e de notas oficiais do Itamaraty, o governo brasileiro expressou “profunda preocupação” e condenou o que classificou como uma agressão unilateral que viola a Carta das Nações Unidas.
“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável”, afirmou Lula. Para o mandatário, a ação conduzida por Donald Trump é um “precedente extremamente perigoso” que substitui o diálogo pela coerção militar na América Latina.
Reunião de Emergência no Planalto
Diante da gravidade dos fatos e do fechamento das fronteiras por parte da Venezuela, o governo brasileiro estruturou uma resposta imediata:
- Gabinete de Crise: Lula deve se reunir ainda hoje com os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e José Múcio (Defesa).
- Fronteira em Roraima: O Exército Brasileiro intensificou o monitoramento na região de Pacaraima para garantir a segurança nacional e se preparar para um possível novo fluxo migratório em massa.
- Via ONU: O Brasil defende que o caso seja levado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, buscando uma resposta multilateral que evite uma escalada bélica no continente.
Polarização na América do Sul
A crise na Venezuela evidenciou uma divisão profunda entre os governos vizinhos. Enquanto o Brasil, a Colômbia (Gustavo Petro) e o Chile (Gabriel Boric) condenaram o uso da força, o presidente da Argentina, Javier Milei, celebrou a queda de Maduro com mensagens de apoio à intervenção americana.
Analistas diplomáticos apontam que a captura de Maduro isola ainda mais o governo brasileiro em sua tentativa de mediação, uma vez que os EUA já anunciaram que o ex-líder venezuelano será processado por narcoterrorismo em um tribunal de Nova York. A grande incógnita agora recai sobre a “prova de vida” exigida pela vice-presidente Delcy Rodríguez e o destino das reservas de petróleo venezuelanas, que estão sob controle das forças americanas em Caracas.













