Julgamento de Miller Pacheco em Cork revela detalhes cruéis sobre a morte de Bruna Fonseca. Segundo depoimento, réu enviou vídeo do corpo para amigo no Brasil e confessou crime à prima da vítima.
Cork, Irlanda — O julgamento de Miller Pacheco, de 32 anos, acusado de assassinar a brasileira Bruna Fonseca (28), natural de Formiga, entrou em uma fase crucial nesta terça-feira (13/01). No Tribunal Penal Central de Cork, depoimentos de testemunhas presenciais e familiares trouxeram à tona evidências que contradizem a alegação de inocência do réu.
Bruna foi encontrada morta em um quarto na Liberty Street no dia 1º de janeiro de 2023. O caso, que gerou comoção internacional, agora detalha os momentos que sucederam o crime.
A Confissão e o Vídeo
A prima de Bruna, Marcella Fonseca, prestou um depoimento contundente. Ela relatou que, após receber um alerta de amigos no Brasil, foi até o local do crime por volta das 6h da manhã.
- O Diálogo: Marcella questionou Miller se ele havia matado Bruna. Após uma negativa inicial, ele teria admitido: “Eu a estrangulei”. Segundo a testemunha, o acusado esboçou um sorriso ao fazer a afirmação.
- Provas Digitais: O tribunal ouviu que Miller enviou um vídeo do corpo de Bruna para um amigo em comum no Brasil, via WhatsApp, acompanhado da mensagem “Matei Bruna”.
Embate de Versões
A defesa de Miller, representada pelo advogado Ray Boland, tentou desqualificar a interpretação da testemunha:
- Tradução: A defesa argumenta que Miller usou o termo “sufoquei” e não “estrangulei”, sugerindo uma possível falta de intenção ou confusão terminológica.
- Estado Emocional: O advogado negou o sorriso relatado por Marcella, afirmando que seu cliente estava “em estado de choque” e não em tom de deboche.
Histórico do Relacionamento
Marcella explicou que Bruna e Miller tiveram um relacionamento no Brasil, mas que na Irlanda a união durou pouquíssimo tempo (entre três dias e uma semana). Bruna teria terminado o namoro, mas Miller não aceitava o fim.
Um episódio ocorrido na véspera do crime também foi citado: Bruna teria retirado uma faca das mãos de Miller por medo de que ele atentasse contra a própria vida, chegando a cortar o dedo durante a ação. Bruna, no entanto, defendeu Miller na ocasião, dizendo que ele não teve a intenção de feri-la.
O Julgamento
O caso está sendo presidido pela juíza Siobhán Lankford. O júri, composto por sete mulheres e cinco homens, deverá avaliar as provas técnicas e os testemunhos para proferir a sentença. Miller Pacheco permanece sob custódia na Irlanda e, se condenado, poderá cumprir prisão perpétua, conforme a legislação local para homicídios













