Tecnologia de monitoramento por câmeras e inteligência artificial mapeia 20 mil quilômetros mensalmente no estado. Enquanto o DER-MG defende a eficiência do sistema, usuários das rodovias alegam que a melhoria ainda não chegou ao asfalto de forma prática.
Minas Gerais — O Governo de Minas Gerais divulgou um balanço otimista sobre a gestão da malha rodoviária em 2025. Segundo a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) e o DER-MG, a adoção de uma ferramenta de monitoramento automatizado permitiu reduzir drasticamente a incidência de buracos nas rodovias estaduais. Minas é o primeiro estado a aplicar IA para fiscalizar tanto estradas públicas quanto as sob concessão.
O sistema, desenvolvido em parceria com a UFSC e o Dnit, utiliza veículos equipados com câmeras de alta resolução que identificam defeitos no pavimento e problemas de drenagem, alimentando o Índice de Condição da Manutenção (ICM).
O Contraste entre Dados e Percepção
Apesar do investimento de R$ 5 milhões e da análise mensal de quase toda a malha pavimentada do estado, o sentimento de quem trafega diariamente pelas vias é de ceticismo.
- Relatos de Usuários: Motoristas que circulam entre o interior e a capital afirmam que, em diversas regiões, as más condições de tráfego persistem. “Tem trecho que parece até pior do que antes”, relatam caminhoneiros que enfrentam a rotina das estradas mineiras.
- Questionamento Social: Para muitos usuários, a tecnologia parece estar “enxergando” uma realidade que não se traduz em segurança real ou economia na manutenção dos veículos.
A Defesa da Gestão Tecnológica
O DER-MG argumenta que o uso da IA e de dados em tempo real (incluindo alertas do aplicativo Waze) otimizou o gasto público. Rodrigo Colares, do DER-MG, destaca que o monitoramento permite identificar problemas como vegetação alta e bueiros entupidos de forma muito mais rápida que o antigo método manual.
- Prevenção: A empresa Codex, responsável pelo sistema, afirma que o modelo permite antecipar falhas críticas, planejando intervenções antes que o asfalto se desintegre totalmente.
Futuro do Projeto
Com o sucesso dos indicadores internos, o estado já planeja levar a inteligência artificial para as rodovias não pavimentadas (estradas de terra), que somam mais de 6 mil quilômetros. O desafio, no entanto, permanece sendo o convencimento da opinião pública.
Enquanto os gráficos do governo apontam para uma “revolução digital” na infraestrutura mineira, o motorista na ponta espera que os dados se transformem em asfalto liso e viagens mais seguras, especialmente em períodos de chuva intensa, onde o monitoramento por IA é colocado à prova máxima.













