Casos envolvem quadros de pancreatite em pacientes que utilizavam as chamadas “canetas emagrecedoras”. Agência reguladora reforça alerta contra o uso indiscriminado e sem orientação médica de fármacos para perda de peso.
Brasília — A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou que monitora seis mortes suspeitas de associação com o uso de medicamentos injetáveis indicados para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. A investigação, divulgada na manhã deste domingo (08/02), foca na ocorrência de pancreatite aguda — uma inflamação grave no pâncreas — em usuários dessas substâncias.
O Cenário das Investigações
Os óbitos foram reportados em diferentes estados brasileiros por meio dos sistemas de farmacovigilância. Segundo a agência, os pacientes faziam uso de substâncias que, nos últimos anos, ganharam enorme projeção nas redes sociais pela eficácia na perda de peso. No entanto, o uso muitas vezes ocorre “off-label” (fora das indicações aprovadas em bula) ou sem a devida triagem clínica.
Embora a pancreatite seja um evento adverso já listado na bula desses fármacos, a Anvisa ressalta que o nexo causal — ou seja, a prova de que o remédio foi o único responsável pelo óbito — ainda não foi estabelecido. Fatores como histórico médico prévio, consumo de outras substâncias e condições genéticas estão sendo analisados pela equipe técnica.
Riscos da Popularização e Automedicação
Especialistas apontam que a busca por resultados estéticos rápidos tem levado ao uso indiscriminado. “O medicamento é uma ferramenta poderosa e segura quando bem indicado, mas o pâncreas e o sistema gastrointestinal podem sofrer reações severas se não houver um preparo e monitoramento constante”, alertam médicos endocrinologistas.
Pontos de atenção destacados pela Anvisa:
- O número de notificações ainda é considerado baixo em relação ao total de usuários, mas a gravidade dos desfechos exige atenção rigorosa.
- Pacientes com histórico de doenças biliares ou abdominais devem passar por exames criteriosos antes de iniciar o tratamento.
- A venda ilegal ou sem receita médica potencializa os riscos de dosagens incorretas e falta de suporte em caso de crises.
Próximos Passos
A Anvisa informou que o monitoramento é contínuo e que novas medidas regulatórias — que podem incluir desde mudanças nas advertências de bula até restrições de comercialização — poderão ser adotadas caso os riscos à saúde pública se confirmem como superiores aos benefícios terapêuticos.
O órgão finaliza reforçando que a jornada de emagrecimento deve ser pautada pela segurança, orientando os cidadãos a buscarem sempre canais oficiais e profissionais habilitados para qualquer tratamento medicamentoso.













