A data, que reverencia Tereza de Benguela, reforça a importância de combater o racismo e o machismo estruturais e de valorizar a representatividade e as conquistas das mulheres negras na construção do país.
Neste 25 de julho, o Brasil celebra o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A data é fundamental para reconhecer e valorizar a trajetória de luta, resistência e as inúmeras contribuições das mulheres negras para a construção do país. Mais do que uma simples comemoração, este dia serve como um lembrete contundente da importância de combater o racismo e o machismo estruturais que ainda afetam profundamente a vida dessas mulheres.
A escolha do 25 de julho não é aleatória. A data remete à memória de Tereza de Benguela, uma notável líder quilombola que viveu no século XVIII em Mato Grosso. Conhecida como “Rainha Tereza”, ela comandou o Quilombo do Quariterê por mais de 20 anos, após a morte de seu companheiro. Sob sua liderança, a comunidade prosperou, desenvolvendo uma complexa organização política, econômica e social, com produção agrícola, tecelagem e o uso estratégico de armas para defesa. Tereza de Benguela é, portanto, um símbolo poderoso da resistência à escravidão e da força inabalável da mulher negra na luta por liberdade e dignidade.
Um Legado de Lutas e Conquistas
Desde os tempos de Tereza de Benguela, incontáveis mulheres negras têm se destacado em diversas áreas, enfrentando adversidades e abrindo caminhos com resiliência e determinação. Na história recente, nomes como Carolina Maria de Jesus, escritora que retratou a realidade das favelas com sensibilidade e crueza; Laudelina de Campos Melo, pioneira na organização dos trabalhadores domésticos; Marielle Franco, vereadora e ativista brutalmente assassinada, cuja voz ecoa na luta por justiça social e direitos humanos; e tantas outras anônimas que, em seu dia a dia, resistem e transformam suas realidades e as de suas comunidades, compõem um legado de coragem e superação.
Apesar das conquistas e avanços alcançados ao longo da história, as mulheres negras ainda enfrentam uma dupla jornada de preconceito. Dados alarmantes demonstram que elas são as mais afetadas pela violência doméstica, pela desigualdade salarial, pela falta de representatividade em espaços de poder e pela sobrecarga de trabalho. O racismo e o machismo se entrelaçam de forma complexa, criando barreiras sistêmicas que impedem o pleno desenvolvimento e o acesso equitativo a oportunidades.
A Importância da Representatividade e do Reconhecimento
O Dia da Mulher Negra é um momento crucial para amplificar as vozes das mulheres negras, dando visibilidade às suas pautas, demandas e perspectivas. É, também, uma oportunidade indispensável para promover a reflexão sobre o papel de cada indivíduo na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A representatividade em todas as esferas – política, cultural, midiática – é fundamental não apenas para desconstruir estereótipos prejudiciais, mas também para inspirar novas gerações de mulheres negras a sonharem e alcançarem seus próprios caminhos.
Neste 25 de julho, a celebração não se limita apenas à memória de Tereza de Benguela, mas se estende à resiliência, à inteligência, à criatividade e à inquestionável capacidade de superação de todas as mulheres negras brasileiras. É um dia para reafirmar o compromisso coletivo com a igualdade racial e de gênero, e para continuar a luta incansável por um futuro onde todas as mulheres, independentemente de sua cor, possam prosperar plenamente e alcançar seu máximo potencial em uma sociedade verdadeiramente inclusiva e justa.













