A Polícia Civil esclareceu os detalhes de um crime brutal no bairro Chico Miranda, onde dois adolescentes são acusados de torturar a vítima com choques e violência sexual. A vítima sofreu risco iminente de morte e o caso é investigado como tortura qualificada.
Lagoa da Prata, MG — A Polícia Civil de Lagoa da Prata, sob o comando do Delegado Dr. Hans, esclareceu os detalhes de um crime brutal ocorrido no dia 23 de setembro, no bairro Chico Miranda. O caso, que envolve requintes de crueldade praticados por dois menores de idade, só veio a público com detalhes após a recuperação da vítima, que passou um longo período na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O caso chegou ao conhecimento das autoridades quando a mãe da vítima compareceu à delegacia. De imediato, não foi possível colher o depoimento, pois a vítima havia sido submetida a uma cirurgia invasiva exploratória e encontrava-se na UTI. Somente no final de outubro, após receber alta e se recuperar parcialmente, a vítima conseguiu ir à delegacia e relatar o terror que viveu.
Tortura, Empalamento e Choques Elétricos
De acordo com o inquérito, o crime foi motivado por desacordos relacionados ao tráfico de drogas. A vítima estava na casa de uma testemunha, local frequentado por usuários, quando os dois autores — adolescentes de 16 e 17 anos — chegaram. Eles ordenaram que os outros usuários saíssem do imóvel, mantendo apenas a vítima como refém. A partir desse momento, iniciou-se uma sessão de tortura:
- Choques Elétricos: Utilizando fios elétricos, os menores aplicaram choques no rosto e no corpo da vítima.
- Violência Sexual e Física: Em um ato de extrema brutalidade, os agressores utilizaram uma bengala para violentar a vítima, introduzindo o objeto no ânus da mesma.
O exame de corpo de delito descreveu o ferimento como uma “lesão puntiforme retal“. O trauma causou uma grave inflamação interna, resultando em risco iminente de morte, o que qualificou o crime e elevou a pena base prevista para tortura qualificada.
Perfil dos Autores e Medidas Legais
Os responsáveis pelo crime são velhos conhecidos das autoridades policiais de Lagoa da Prata. Segundo o Dr. Hans, apesar da pouca idade, a dupla possui uma alta periculosidade e já foi investigada por crimes como roubo, tráfico de drogas e homicídio. Recentemente, ambos haviam sido liberados de um centro socioeducativo em Araxá.
Como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), por serem menores de 18 anos, eles não podem ser presos, mas sim apreendidos. A pena máxima prevista é a internação em centro socioeducativo por um período de até 3 anos. Como Lagoa da Prata não possui unidade para cumprimento dessas medidas, os menores, caso a justiça determine a internação, deverão ser transferidos para outra cidade sob tutela do Estado.
Incêndio Criminoso para Apagar Rastros
A investigação revelou ainda um desdobramento do caso. Após a tortura, os menores retornaram à residência onde o crime ocorreu. Ao encontrarem o proprietário do imóvel, ordenaram que ele saísse e atearam fogo na casa. As chamas consumiram o quarto onde ocorreram as agressões e destruíram a estrutura do telhado, o que está sendo apurado em um inquérito paralelo como incêndio criminoso.
O Delegado Hans encerrou a entrevista destacando a gravidade da lesão corporal sofrida pela vítima e a frieza dos autores, cujas ações elevaram a tipificação do crime para tortura qualificada.
Nota da Redação: Este caso contém descrições de violência extrema. Se você ou alguém que você conhece está em situação de perigo, denuncie. Disque 100 ou 180.













