Cocaína Aparece em 70% dos Testes Positivos para CNH; Exame Será Obrigatório para Carros e Motos em 2026

A partir do próximo ano, candidatos à primeira habilitação nas categorias A e B deverão apresentar resultado negativo. Levantamento aponta que das 97 mil reprovações em 2025, a maioria foi motivada pelo consumo de cocaína e seus derivados.

Brasil — O cenário da segurança viária no Brasil ganha novos contornos com a divulgação de dados preocupantes pelo Ministério dos Transportes. Em 2025, cerca de 97 mil motoristas das categorias profissionais (C, D e E) foram reprovados no exame toxicológico. O dado mais alarmante é que, em 70% desses casos (aproximadamente 67 mil), a substância detectada foi a cocaína ou seus metabólitos.

A detecção é feita principalmente pela benzoilecgonina, substância resultante da metabolização da droga no organismo. Além dela, opiáceos (presentes em remédios como codeína) e anfetaminas (os conhecidos “rebites”) completam a lista de substâncias que mais afastam condutores das estradas.


Mudança na Legislação: Categorias A e B

Com a promulgação da Lei 15.153/2025, após a derrubada de vetos pelo Congresso Nacional, a exigência do exame toxicológico deixará de ser exclusiva para caminhoneiros e motoristas de ônibus.

  • O que muda: Candidatos à primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motocicletas (A) e automóveis (B) precisarão do teste negativo para concluir o processo.
  • Vigência: Embora a lei tenha sido publicada em dezembro de 2025, o cronograma operacional aponta que a exigência deve ser plenamente aplicada para novos processos a partir de julho de 2026, permitindo que os Detrans e laboratórios se adaptem à nova demanda.
  • Foco: A medida aplica-se apenas à obtenção da primeira CNH nessas categorias, não sendo exigida, até o momento, para as renovações de motoristas comuns.

Impacto na Segurança Pública

O uso de substâncias como a cocaína e o cocaetileno (mistura de droga com álcool) é apontado por especialistas como um dos principais fatores de risco para atropelamentos e colisões fatais. Com a ampliação do exame, o governo federal espera criar um “filtro” mais rigoroso para novos condutores, promovendo uma cultura de responsabilidade desde o início da vida no trânsito.

O exame é realizado através da coleta de amostras de cabelo, pelos ou unhas, permitindo uma janela de detecção de até 90 dias antes do teste.

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