Declaração de Antônio Pica-pau durante sessão desta terça-feira (13/01) expõe suposto esquema de corrupção envolvendo a eleição da Mesa Diretora e a Prefeitura. Parlamentar detalhou benefícios recebidos em terras particulares e empregabilidade de familiares.
Doresópolis, MG — A política do município de Doresópolis vive um de seus momentos mais tensos após a última reunião plenária da Câmara Municipal. Em uma fala que surpreendeu colegas de bancada e o público presente, o vereador Antônio Pica-pau confessou abertamente ter negociado seu voto para a presidência da Casa (biênio 2026) em troca de vantagens oferecidas pela atual gestão municipal.
A confissão atinge diretamente a cúpula do Executivo e a nova presidência da Câmara, colocando sob suspeita a legitimidade da eleição da Vereadora Mara para o comando do Legislativo.
Os Detalhes da Confissão
Em seu pronunciamento, o vereador não poupou detalhes sobre os “acordos” firmados para garantir o apoio à candidata governista. Segundo ele, os benefícios foram diretos e de natureza privada:
- Uso de Máquinas Públicas: O parlamentar afirmou ter recebido serviços de trator e maquinário da prefeitura em suas propriedades particulares.
- Nepotismo e Favorecimento: Citou a contratação de sua filha para um cargo no funcionalismo público como parte do pagamento pelo voto.
- Materiais de Construção: Admitiu também o recebimento de insumos para obras em seu nome.
Implicações Criminais e Administrativas
Juristas ouvidos pela nossa redação afirmam que a declaração, por ter sido feita em plenário e registrada, constitui prova de autoria e materialidade de diversos ilícitos:
- Corrupção Passiva (Art. 317 do CP): Pelo fato de o vereador solicitar ou receber vantagem indevida em razão da função.
- Corrupção Ativa (Art. 333 do CP): Caso se comprove que o agente público ofereceu as vantagens.
- Improbidade Administrativa: Pelo desvio de finalidade de bens públicos (maquinário e cargos) para fins políticos particulares.
Reações e Próximos Passos
O clima na Câmara de Doresópolis é de total incerteza. A oposição já articula o pedido de abertura de uma Comissão Processante (CP) por quebra de decoro parlamentar, o que pode culminar na perda do mandato de Antônio Pica-pau.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deve ser provocado a abrir um inquérito civil e criminal para apurar a extensão do esquema. Até o fechamento desta reportagem, a assessoria do Prefeito Municipal e a presidente da Câmara, Vereadora Mara, não emitiram notas oficiais sobre as graves acusações.
A população local, chocada com a naturalidade da confissão, cobra transparência e rigor nas investigações.













