Reservatório opera com apenas 32% do volume útil, forçando redução de vazão pela ANA. Entidades e prefeitos de 34 municípios intensificam pressão pela aprovação da “Lei Mar de Minas” para garantir nível mínimo de 762 metros.
Furnas, MG — O cenário nas margens do Lago de Furnas neste início de 2026 é de alerta. Em pleno período de férias, quando a região atrai milhares de visitantes, o reservatório registra a cota de 757 metros — cinco metros abaixo do nível considerado ideal para a exploração turística e econômica. O baixo volume útil (32,5%) reflete não apenas a escassez de chuvas, mas também a gestão das águas para a produção de energia e navegabilidade em outras regiões do país.
A “Faixa de Atenção” e a Economia
Por determinação da Agência Nacional de Águas (ANA), a vazão média mensal foi reduzida para 500 m³/s. Embora a medida tente preservar o que resta de água, os impactos já são visíveis e dolorosos para a economia do Centro-Oeste e Sul de Minas:
- Turismo: Marinais e operadores de lanchas enfrentam dificuldades logísticas. A imagem de “lagos secos” desestimula novas reservas.
- Piscicultura: O setor de criação de peixes em tanques-rede é um dos mais afetados pela oscilação brusca do nível, que prejudica a oxigenação e o manejo.
- Empregos: Estima-se que 50 mil postos de trabalho dependam diretamente das atividades ligadas ao lago nos 34 municípios banhados pela represa.
Visão das Lideranças: Formiga e Capitólio
O prefeito de Capitólio e presidente da Alago, Cristiano Silva, destaca que a imagem negativa afeta a reputação da região como destino internacional. Já em Formiga, o presidente da Unelagos e do Clube Náutico Formiguense, Thadeu Alencar, classifica a situação como uma política “desastrosa”.
Segundo Alencar, a redução da vazão é um paliativo tardio. Ele aponta que o lago foi usado intensamente nos últimos meses para garantir água na Hidrovia Tietê-Paraná, ignorando o direito mineiro ao uso múltiplo das águas. “O impacto é sentido até na conta de energia dos brasileiros, com as bandeiras tarifárias quando a cota 762 é desrespeitada”, pontua.
Aposta na “Lei Mar de Minas”
A grande esperança política reside na aprovação do Projeto de Lei que denomina a região como “Área Especial de Interesse Turístico Nacional”.
- O que o projeto prevê: A elevação por força de lei do nível mínimo de operação de 750 para 762 metros.
- Status: O texto já passou pelas comissões da Câmara dos Deputados e aguarda apenas a votação em plenário após o recesso parlamentar.
Medidas do Governo Federal
O Ministério de Minas e Energia anunciou a liberação de R$ 180 milhões para saneamento e recuperação de nascentes na bacia de Furnas. Para 2026, a principal obra de engenharia prevista é o Dique de Campo do Meio, projetado para ajudar a manter o nível da represa alto mesmo em períodos de estiagem severa.
Enquanto as obras e leis não saem do papel, o setor produtivo regional segue monitorando o céu, esperando que as chuvas de verão ajudem a recompor o volume de uma das maiores riquezas naturais de Minas Gerais.













