Caminhoneiros alertam para paralisação imediata após medidas anteriores não conterem a alta do diesel. Ministério dos Transportes e ANTT apresentam plano de contingência nesta quarta-feira (18) para evitar desabastecimento.
Brasília/Nacional — O Palácio do Planalto entrou em regime de alerta máximo nesta quarta-feira (18/03). Após uma assembleia decisiva realizada no Porto de Santos na última segunda-feira, lideranças dos caminhoneiros autônomos e de frotas empresariais formalizaram um ultimato ao governo: ou os custos operacionais caem de forma real, ou o país enfrentará uma nova greve geral.
O Estopim da Crise
A principal queixa da categoria é a ineficácia das ações tomadas na semana passada. Apesar da isenção de impostos federais (PIS/Cofins) e da tentativa de subsídio ao diesel, a escalada de preços — impulsionada pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio — anulou qualquer alívio financeiro. Os motoristas afirmam que o “desconto” anunciado pelo governo não chega às bombas dos postos, ficando retido na cadeia de distribuição.
O Pacote de Resposta do Governo
Em reunião agendada para as 10h de hoje no Ministério dos Transportes, o ministro Renan Filho e o diretor da ANTT, Guilherme Sampaio, devem apresentar:
- Piso do Frete: Um sistema de fiscalização eletrônica e presencial muito mais rígido, com multas pesadas para empresas que contratarem fretes abaixo do valor mínimo estabelecido.
- Ofensiva no ICMS: Uma proposta ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) para a redução temporária do imposto estadual (ICMS) sobre o diesel, com o governo federal oferecendo compensações aos estados para evitar perda de arrecadação.
- Investigação da PF: O uso da Polícia Federal para investigar possíveis cartéis e retenção proposital de descontos por parte de distribuidoras.
Reivindicações da Categoria
Além do combustível, os caminhoneiros levaram ao governo uma pauta extensa que inclui:
- Pedágios: Revisão dos valores em concessões federais.
- Segurança: Ações contra o roubo de cargas em rotas críticas.
- Transparência: Divulgação clara de como os subsídios são aplicados pela Petrobras.
Impacto e Negociações
Embora a greve ainda não tenha uma data oficial de início, o setor produtivo já demonstra preocupação com o impacto na cadeia de suprimentos e na inflação de alimentos. O ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) afirmou que o governo está aberto ao diálogo, mas classificou como “realismo econômico” a necessidade de ajustes diante do cenário internacional. Por outro lado, as lideranças dos motoristas mantêm a pressão, afirmando que a paciência da categoria “chegou ao limite”.













