Levantamento do Tribunal Superior Eleitoral aponta 698 processos no 1º turno; especialistas veem consolidação do uso da Justiça Eleitoral como estratégia de campanha.
BRASÍLIA (DF) — Um levantamento de dados junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontou um crescimento vertiginoso no volume de ações e representações protocoladas pelas campanhas à Presidência da República no primeiro turno das Eleições de 2026. Ao todo, a Corte Eleitoral recebeu 698 processos envolvendo diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O volume representa um aumento de 165% em comparação com o mesmo período do pleito de 2022 — quando foram contabilizados 263 processos entre as candidaturas majoritárias — e de 147% frente às eleições gerais de 2018.
Perfil das Representações e Principais Embates
Do total de ações protocoladas no primeiro turno, 358 consistiram em embates diretos entre as duas coligações principais. A campanha de Flávio Bolsonaro e do PL acionou o tribunal em 343 ocasiões (49,1% do total), direcionando petições contra Lula, ministros e aliados. Por sua vez, a equipe jurídica da campanha de Lula acionou o TSE 265 vezes (37,9%), tendo como alvos o senador, sua coligação e coordenadores regionais.
Entre os principais temas judicializados no pleito figuram disputas sobre postagens em redes sociais, direito de resposta, uso de inteligência artificial, regras para canais de mensagens e inserções de propaganda em rádio e televisão. Os instrumentos mais acionados pelas bancas jurídicas foram as representações para interrupção de veiculações (355 peças) e os pedidos formais de direito de resposta (206 solicitações).
Avisos e Avaliação de Especialistas
Analistas e professores de Direito Eleitoral apontam que o aumento do volume de ações decorre da profissionalização dos escritórios jurídicos e da absorção da via judicial como parte integrante do planejamento tático e da narrativa política das campanhas presidenciais.
Com a definição do segundo turno marcado para o próximo dia 25 de outubro de 2026, a expectativa é de que o fluxo de decisões cautelares e recursos continue a movimentar o plenário do TSE nas semanas decisivas da votação.













