Único estado do país a registrar inversão de resultado em relação ao primeiro turno, território mineiro manteve escrita de eleger todos os presidentes desde a redemocratização.
BELO HORIZONTE (MG) — O estado de Minas Gerais confirmou, no segundo turno das Eleições 2026, sua condição de síntese política do país e fiel da balança nas disputas presidenciais. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o pleito no estado com 50,43% dos votos válidos (6.351.099 votos), superando o senador Flávio Bolsonaro (PL), que registrou 49,57% (6.241.786 votos), segundo dados consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Minas foi a única unidade da federação onde o presidente reeleito conseguiu reverter o placar em relação ao primeiro turno. Na primeira etapa, Flávio Bolsonaro havia liderado em solo mineiro com uma vantagem de 588.612 votos (48,24% contra 43,33%).
Ampliação de Cidades e Queda da Abstenção
A virada em terras mineiras foi sustentada pelo avanço do candidato do PT no interior. Lula passou de 452 municípios conquistados no primeiro turno para 528 cidades no segundo, englobando 76 viradas municipais no estado. Entre os dez maiores colégios eleitorais mineiros, Flávio Bolsonaro manteve a liderança em oito centros urbanos (incluindo a capital, Belo Horizonte, e Uberlândia), enquanto Lula venceu em Juiz de Fora e virou o placar em Ribeirão das Neves.
Outro componente decisivo foi a participação do eleitorado: a abstenção em Minas Gerais diminuiu de 22,8% para 20,33%, fazendo com que mais de 300 mil eleitores adicionais do segundo maior colégio eleitoral do país (16,3 milhões de votantes) fossem às urnas.
Foco das Campanhas na Reta Final
Pela relevância estratégica, o estado foi alvo constante de agendas dos dois postulantes ao Planalto nas semanas decisivas. Lula cumpriu atos em Juiz de Fora, Ipatinga e Belo Horizonte, enquanto Flávio Bolsonaro concentrou viagens pelo Vale do Jequitinhonha e encerrou a campanha com uma motociata na capital mineira.
Com o resultado, Minas Gerais preserva a marca histórica de ter votado no candidato vencedor em todas as eleições presidenciais diretas realizadas no Brasil desde a redemocratização.













