Contratos firmados pela Secom desde 2025 visam impulsionar programas como Celular Seguro e Ministério da Saúde. Valores individuais chegam a R$ 470 mil; estratégia de comunicação direta nas redes sociais reacende debate sobre transparência e critérios de contratação com verba pública.
Brasília, DF — A comunicação institucional do Governo Federal deu um giro definitivo rumo às plataformas digitais. Levantamento recente aponta que, sob a gestão da Secretaria de Comunicação Social (Secom), aproximadamente R$ 2 milhões foram pagos a influenciadores e personalidades artísticas para a promoção de políticas públicas. A estratégia visa “furar a bolha” da comunicação oficial e atingir o cidadão diretamente em seu feed de notícias, utilizando rostos familiares e vozes de grande engajamento.
Os Maiores Contratos
O relatório de transparência detalha ações pontuais que utilizaram figuras de renome nacional para dar visibilidade a serviços essenciais.
- Segurança Pública: A atriz Dira Paes foi a porta-voz do programa “Celular Seguro”, recebendo um cachê de R$ 470 mil. A campanha focou na conscientização sobre o bloqueio de aparelhos furtados ou roubados.
- Saúde: O carnavalesco Milton Cunha recebeu R$ 310 mil para atuar na campanha “Agora Tem Especialistas”, buscando facilitar o entendimento sobre o acesso a consultas e exames no SUS.
A Força da Microinfluência
Além das grandes estrelas, a Secom diversificou o investimento contratando 55 influenciadores digitais de diferentes nichos.
- Valores: A remuneração variou drasticamente, de R$ 1.000 a R$ 124,9 mil por campanha.
- Critérios: A escolha leva em conta a demografia do público seguido pelo influenciador (jovens, trabalhadores rurais, mulheres, etc.), garantindo que a informação chegue de forma personalizada.
[Image showing a high-quality professional graphic: A smartphone screen showing a “Sponsored” post from a famous influencer about a government program, with a background of the Planalto Palace and a digital coin icon representing public funds, text “COMUNICAÇÃO 2026: INFLUENCIADORES E O DINHEIRO PÚBLICO”]
Transparência e Críticas
Embora a publicidade com influenciadores seja uma tendência global e já adotada em governos anteriores no Brasil, o tema não é isento de polêmica. Críticos e órgãos de controle levantam questionamentos sobre a mensuração de resultados: como saber se um vídeo de um influenciador gerou, de fato, mais adesão a um programa governamental do que um comercial de TV?
Outro ponto sensível é a linha tênue entre a publicidade institucional (que deve ser educativa e informativa) e a promoção política da imagem do gestor, o que exige fiscalização constante do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União (TCU).
A Defesa do Governo
A Secretaria de Comunicação defende que o custo-benefício da publicidade digital é superior aos meios tradicionais para determinados segmentos da população. Em nota, o governo reforça que todos os contratos seguem a legislação de licitações e que o uso de “embaixadores” digitais é fundamental para combater a desinformação e garantir que o cidadão conheça seus direitos e os serviços disponíveis.













