Anunciado oficialmente nesta segunda-feira (4), o “Novo Desenrola” permite renegociações para quem recebe até cinco salários mínimos. Medida inclui perdão de dívidas de até R$ 100, juros limitados a 1,99% e bloqueio em sites de apostas por 12 meses para os beneficiários em 2026.
Brasília/DF — O Governo Federal deu início, nesta segunda-feira (04/05), à execução do Novo Desenrola Brasil, uma versão ampliada e reformulada do programa de renegociação de dívidas que marcou o início da gestão atual. Com a meta de atingir uma parcela significativa dos 117 milhões de brasileiros endividados, o programa foca agora na classe média baixa e em trabalhadores com renda de até R$ 8.105. A estratégia econômica, detalhada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, aposta na liberação de recursos do FGTS e em garantias do Tesouro Nacional para destravar o consumo das famílias.
Público-Alvo e Dívidas Elegíveis
O programa foca no endividamento “fresco” e acumulado nos últimos anos. Podem ser renegociados débitos de:
- Período: Dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam em atraso entre 90 dias e 2 anos.
- Tipos de Crédito: Cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal (CDC) e dívidas do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).
- Descontos: O governo estima abatimentos entre 30% e 90% do valor principal, dependendo da negociação com a instituição financeira.
A Novidade do FGTS e o Bloqueio das Bets
A grande inovação desta fase é a integração com o Fundo de Garantia. O trabalhador poderá autorizar a Caixa a transferir até 20% do saldo disponível do FGTS (respeitando o mínimo de R$ 1.000) diretamente para o banco credor.
- Trava Educativa: Em uma medida inédita voltada à saúde financeira, quem renegociar pelo Desenrola 2.0 terá o CPF bloqueado em todas as plataformas de apostas online por um ano. A intenção é garantir que o alívio financeiro não seja drenado pelo mercado de jogos.
- Perdão de Pequenos Débitos: Assim como na primeira fase, os bancos participantes se comprometem a desnegativar automaticamente e perdoar dívidas de até R$ 100.
Contexto Político e Fundo de Garantia
Para viabilizar as garantias aos bancos, o governo utilizará entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores em contas bancárias, além de um aporte extra da União. A medida é vista como um trunfo político para o Palácio do Planalto, que busca entregar resultados econômicos palpáveis em um ano de forte polarização e cenário legislativo desafiador.
Como Aderir
Os interessados devem procurar os aplicativos ou agências dos bancos onde possuem as dívidas. O governo também disponibilizará uma calculadora oficial para que o cidadão simule o desconto e as novas parcelas, que terão juros máximos de 1,99% ao mês. Para o Ministério da Fazenda, a expectativa é injetar até R$ 8,2 bilhões na economia através do crédito recuperado e da limpeza dos cadastros de inadimplentes (Serasa/SPC).













