Resultados oficiais da edição 2026 coroam a Cachaça Mineiriana Carvalho, de Itabira, com a medalha de prata. Premiação destaca o Sul de Minas com a Tiê Prata e o Norte com a tradicional Canarinha, de Salinas, reforçando o valor de mercado do agronegócio e do ‘terroir’ mineiro.
Cidades/Belo Horizonte — A cadeia produtiva de bebidas destiladas de Minas Gerais reafirmou sua hegemonia técnica e mercadológica no cenário nacional. No relatório final do Ranking da Cúpula da Cachaça 2026, divulgado oficialmente nesta semana, o estado de Minas Gerais conquistou quatro das dez posições do topo da lista que elege as melhores produções do país. O painel de jurados e especialistas avaliou quesitos sensoriais, pureza, equilíbrio alcoólico e potencial de envelhecimento, consolidando os alambiques mineiros como referências na agregação de valor ao agronegócio estadual.
Os Destaques do Pódio e a Força de Itabira
O grande destaque da avaliação técnica deste ano concentrou-se na região Central do estado, projetando um município tradicionalmente associado à atividade mineradora como um polo emergente de destilados de alto padrão (premium).
- Medalha de Prata: A Cachaça Mineiriana Carvalho, envelhecida em barris de madeira nobre e destilada em Itabira, conquistou a segunda colocação geral no país, totalizando a nota de 89,57 pontos.
- Dupla no Top 10: O mesmo alambique itabirano assegurou a décima posição com a Mineiriana Amburana, demonstrando o domínio de técnicas moleculares de transferência de aromas e a estabilidade química dos lotes produzidos na safra recente.
Diversidade Regional e Cachaça Branca
O ranking da Cúpula da Cachaça também mapeou as nuances geográficas e climáticas (terroir) que desenham a produção de Minas Gerais, dividindo as honrarias entre as vertentes de envelhecimento e de pureza do destilado de cana-de-açúcar.
- Sul de Minas: A cachaça Tiê Prata, produzida de forma artesanal no município de Aiuruoca, garantiu a quinta posição geral no Brasil. A conquista ganha relevância por se tratar de uma cachaça branca (não envelhecida), categoria na qual o destilado repousa apenas em dornas de inox, exigindo um corte de destilação perfeito para preservar o frescor e as notas herbáceas da cana original.
- Norte de Minas: No polo clássico de produção, a tradicional Canarinha, produzida em Salinas, obteve o oitavo lugar nacional, assegurando a continuidade de sua reputação de mercado e mantendo a constância de qualidade que caracteriza o polo do semiárido mineiro.
Contexto de Mercado e Competitividade Nacional
A liderança absoluta do certame em maio de 2026 ficou com o estado de Santa Catarina, representado pelo rótulo Bylaardt Extra Premium, do município de Luiz Alves, que alcançou a pontuação de 91 pontos. O fechamento das dez primeiras colocações evidenciou a pulverização e o amadurecimento do mercado nacional, registrando medalhas para produtores tradicionais localizados na Paraíba, Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro.
| Marca / Rótulo | Município de Origem (MG) | Categoria / Madeira | Posição no Ranking |
| Mineiriana Carvalho | Itabira | Envelhecida (Carvalho) | 2º Lugar (Prata) |
| Tiê Prata | Aiuruoca | Branca (Inox/Pura) | 5º Lugar |
| Canarinha | Salinas | Envelhecida (Bálsamo) | 8º Lugar |
| Mineiriana Amburana | Itabira | Envelhecida (Amburana) | 10º Lugar |
Para economistas e secretários de desenvolvimento, o desempenho mineiro ressalta que o setor de cachaça de alambique migrou definitivamente do consumo de massa para o mercado de alta gastronomia e exportação. A fusão de técnicas históricas de fermentação com rigorosos controles de laboratório para evitar contaminantes assegura o selo de qualidade indispensável para competir com destilados internacionais de prestígio, injetando receitas fiscais e gerando empregos rurais e de turismo gastronômico em todas as regiões de Minas Gerais.













