Proposta de revisão tarifária da distribuidora tramita na Aneel e impactará cerca de 9,5 milhões de unidades consumidoras em Minas Gerais. Reajuste fixa-se acima da inflação do IPCA e faturas de junho apresentarão cobrança proporcional em maio de 2026.
Belo Horizonte/Cidades — O custo dos serviços públicos essenciais passará por uma alteração conjuntural em Minas Gerais na próxima semana. A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) formalizou junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a minuta técnica que estipula um reajuste médio de 6,5% nas contas de energia elétrica de sua área de concessão. Caso o índice seja homologado pela diretoria colegiada do órgão regulador federal, as novas tarifas passarão a vigorar de forma plena a partir do próximo dia 28 de maio.
Descompasso com a Inflação e Variáveis de Custo
O percentual proposto para a revisão tarifária anual gerou análises de órgãos de defesa do consumidor por se posicionar acima das metas inflacionárias oficiais registradas no último ciclo econômico.
- Margem Real: O teto médio de 6,5% supera o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Ampla (IPCA) acumulado entre maio de 2025 e abril de 2026, que fechou congelado no patamar de 4,39%, representando um ganho real de custo sobre o orçamento das famílias e empresas mineiras.
- Fatores de Pressão: A Cemig e a Aneel apontam que a composição do reajuste foi severamente pressionada por fatores estruturais da matriz elétrica nacional. O balanço técnico cita o encarecimento dos contratos de compra de energia gerada por termelétricas, o reajuste nos encargos de transmissão de alta voltagem e o impacto contábil dos subsídios e incentivos cruzados direcionados à geração distribuída — modalidade que engloba a compensação de créditos de sistemas de microgeração solar fotovoltaica.
Abrangência do Mercado e Transição Proporcional
A aplicação do novo preço não ocorrerá em bloco único de cobrança, respeitando os ciclos individuais de leitura dos medidores instalados nas residências e comércios.
- Unidades Afetadas: O reajuste possui caráter universal dentro do estado, estimando-se que atingirá de forma direta um contingente de 9,5 milhões de clientes, subdivididos entre redes residenciais, propriedades rurais, estabelecimentos comerciais e plantas industriais de alta tensão.
- Faturamento em Junho: O departamento comercial da concessionária esclareceu que o impacto financeiro será absorvido de forma escalonada pelos consumidores. Os boletos de arrecadação emitidos ao longo do mês de junho apresentarão um cálculo misto proporcional. Os dias de consumo registrados até o dia 27 de maio serão faturados com base na tabela tarifária antiga, enquanto o consumo medido a partir do dia 28 de maio trará a incidência integral do novo valor corrigido.
A Anatomia da Tarifa e a Distribuição do Faturamento
Diante do desgaste institucional provocado pelo anúncio de aumentos, a Cemig divulgou um detalhamento contábil focado na desmistificação da composição de custos que integram a fatura de energia elétrica, evidenciando que a maior parcela do montante pago pelo cidadão não se reverte em receita líquida para a operação interna da distribuidora estatal em maio de 2026.
[Composição da Conta de Energia da Cemig - Ciclo 2026]
├── Encargos, Impostos Estaduais/Federais e Transmissão ──► 72,5% do valor total
└── Parcela B (Receita Líquida da Distribuidora Cemig) ──► 27,5% do valor total
Conforme os dados do gráfico financeiro da companhia, apenas 27,5% da arrecadação bruta permanece nos cofres da distribuidora (Parcela B) para custear a folha de pagamento de eletricistas, manutenção de subestações e expansão de linhas de baixa tensão em municípios do interior, como Arcos e Formiga.
O montante majoritário de 72,5% (Parcela A) atua como mero fluxo de caixa compulsório, sendo integralmente repassado para o pagamento de tributos (ICMS, PIS/Cofins), pagamento de usinas geradoras (Itaipu e consórcios privados), encargos setoriais do governo federal e tarifas de uso dos sistemas de transmissão (custo de transporte de energia das usinas até os centros de carga), mantendo o debate sobre a necessidade de uma reforma tributária setorial para frear a escalada de preços da eletricidade no Brasil.













