Anvisa Proíbe Fabricação e Ordena Apreensão de todos os Produtos da Capsul Brasil em Arcos

Medida reforça interdição após Operação “Casa de Farinha” revelar graves riscos sanitários e fraude tributária de R$ 100 milhões. Inquérito da Polícia Civil segue ativo com novos depoimentos; Justiça mantém bloqueio de R$ 1,3 bilhão e apreensão de veículos de luxo dos proprietários.

Arcos, MG — A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) endureceu as sanções contra a Capsul Brasil Indústria e Comércio S.A., com sede no município de Arcos. Em resolução publicada nesta segunda-feira (13/04), o órgão determinou a proibição total da fabricação, distribuição e propaganda de qualquer item da marca, além de ordenar o recolhimento imediato de todos os produtos alimentícios e suplementos já comercializados em território nacional.


Endurecimento da Fiscalização

A nova medida da Anvisa substitui resoluções anteriores e surge após inspeções técnicas detalharem o “caos sanitário” nos locais de produção. A Operação “Casa de Farinha”, deflagrada em 25 de março, já havia exposto que a empresa utilizava galpões clandestinos, sem qualquer controle de higiene ou qualidade, para fabricar cápsulas que, muitas vezes, não continham os ingredientes prometidos nos rótulos.

A Fraude dos “E-books”

Além do risco à saúde pública, a força-tarefa composta pelo CIRA-MG, Ministério Público e Receita Estadual desarticulou uma engrenagem financeira criminosa.

  • Manobra Tributária: Para sonegar impostos, o grupo registrava a venda de produtos físicos (suplementos) como “livros digitais” (e-books), aproveitando-se da imunidade tributária desse tipo de material.
  • Montante: Estima-se que o prejuízo aos cofres públicos ultrapasse os R$ 100 milhões.


Estilo de Vida e Prisões

Os proprietários da Capsul, de 29 e 35 anos, permanecem detidos. Eles utilizavam as redes sociais como vitrine para atrair vítimas, ostentando um estilo de vida de luxo extremo com frotas de carros esportivos, jatinhos e relógios Patek Philippe — bens que agora compõem o montante de R$ 1,3 bilhão em ativos bloqueados pela Justiça para garantir o ressarcimento ao Estado e possíveis indenizações a consumidores.

Desdobramentos em Arcos

A Polícia Civil de Minas Gerais informou que o inquérito policial segue em ritmo acelerado. Novas oitivas estão sendo realizadas para identificar a ramificação do esquema, que envolveria mais de 300 empresas parceiras. A interdição da fábrica em Arcos é mantida por tempo indeterminado, e as autoridades orientam comerciantes e consumidores a retirarem os produtos de circulação imediatamente, sob pena de também responderem por infração sanitária.

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