Lideranças mineiras e a UNELAGOS protocolam requerimentos junto ao IBAMA e à ANA para assegurar usos múltiplos da água. Movimento denuncia priorização da geração de energia em detrimento da economia regional e invoca soberania hídrica do estado garantida pela Constituição de Minas Gerais.
Arcos/Brasília — A disputa pelo controle das águas do reservatório de Furnas, o “Mar de Minas”, entrou em uma etapa decisiva de enfrentamento institucional. Nesta quarta-feira (22/04), lideranças do Centro-Oeste e Sul de Minas intensificaram a pressão sobre órgãos federais para que a cota mínima de 762 metros acima do nível do mar deixe de ser uma promessa e passe a ser cumprida rigorosamente. O movimento marca uma ruptura com a política de esvaziamento do lago para fins exclusivos de geração de energia e operação da hidrovia Tietê-Paraná.
Ofensiva Legislativa e Técnica
A frente parlamentar, liderada pelo deputado Antônio Carlos Arantes, formalizou em Brasília os Requerimentos 20.314 e 20.315/2026. Os documentos, direcionados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e à Agência Nacional de Águas (ANA), exigem:
- Providências Imediatas: Adoção de mecanismos de controle que impeçam a queda do nível abaixo do limite legal.
- Fiscalização: Auditoria sobre a gestão dos recursos hídricos que, segundo as lideranças, tem ignorado os impactos socioeconômicos nas cidades banhadas pelo reservatório.
O Papel da UNELAGOS e dos Usos Múltiplos
A União dos Municípios Banhados pelo Lago de Furnas (UNELAGOS) tem sido o braço articulador entre o setor público e o privado. A entidade argumenta que o lago possui “usos múltiplos” fundamentais, que vão muito além da eletricidade. A falta de água compromete diretamente o turismo náutico — um dos pilares da economia regional —, a piscicultura em tanques-rede e o agronegócio, que depende da captação para irrigação.
[Image showing a high-quality professional photo: Uma vista aérea do Lago de Furnas com águas azuis profundas batendo em margens verdes preservadas, com um gráfico de régua sobreposto marcando o nível de 762m, texto “FURNAS 762: PELA ECONOMIA E PELO MEIO AMBIENTE DE MINAS”]
Soberania Hídrica e Constituição Estadual
A mobilização apoia-se em dispositivos da Constituição de Minas Gerais, que prevê a proteção do reservatório como patrimônio do estado. Líderes regionais afirmam que não haverá mais tolerância com práticas “predatórias” que tratam o Lago de Furnas como um recurso descartável. Para os envolvidos, a manutenção do nível é uma questão de sobrevivência econômica e preservação dos ecossistemas locais, que sofrem com o recuo das águas e a degradação da qualidade ambiental.
Perspectivas para 2026
Com o protocolo dos requerimentos, a expectativa é que o Governo Federal e as agências reguladoras se posicionem em curto prazo. O debate ocorre em um momento de transição energética, onde Minas Gerais busca equilibrar sua contribuição para o sistema elétrico nacional com a necessidade de proteger seus próprios ativos naturais e turísticos. A pressão institucional deve aumentar nos próximos meses, com a Marcha dos Prefeitos em maio sendo outro palco estratégico para essa reivindicação.













