Declaração do ex-governador de Minas e pré-candidato à Presidência gera embate entre defensores da inserção profissional precoce e entidades de proteção à infância. Atualmente, a Constituição veda o trabalho para menores de 16 anos, com exceção da modalidade aprendiz aos 14; especialistas alertam para riscos de evasão escolar e precarização social.
Brasília/DF — O debate eleitoral de 2026 ganhou contornos de alta voltagem social neste sábado (02/05). O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, atual pré-candidato à Presidência da República pelo partido Novo, defendeu abertamente a revisão das leis brasileiras que regem o trabalho infantil. Em declaração que repercutiu instantaneamente em Brasília, Zema classificou o arcabouço jurídico atual como “excessivamente restritivo” e sinalizou que, em sua gestão, buscaria autorizar formas de trabalho para menores, sob a justificativa de fomento à iniciação profissional e atividades educativas.
O Conflito com a Legislação Atual
A proposta de Zema atinge diretamente pilares da Constituição Federal de 1988 e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
- Proteção Integral: A lei brasileira é desenhada para garantir que a infância seja dedicada exclusivamente à educação e ao desenvolvimento físico e psíquico.
- Regra do Aprendiz: Atualmente, a única porta de entrada legal para o mercado de trabalho antes dos 16 anos é o contrato de aprendizagem (a partir dos 14 anos), que exige frequência escolar e não pode envolver riscos à saúde ou moralidade.
Reações e Riscos Apontados
Entidades como o Ministério Público do Trabalho (MPT) e organizações de direitos humanos manifestaram preocupação imediata com o teor da fala.
- Retrocesso Social: Críticos argumentam que a flexibilização pode empurrar crianças de famílias vulneráveis para o mercado informal, perpetuando o ciclo de pobreza e impedindo a qualificação acadêmica necessária para empregos de alto valor no futuro.
- Saúde e Segurança: Estudos indicam que o trabalho precoce está diretamente ligado a maiores índices de acidentes de trabalho e danos irreversíveis ao desenvolvimento motor e cognitivo.
Visão dos Apoiadores
No campo político que sustenta a candidatura do Novo, o argumento é de que a rigidez da lei impede que jovens em vulnerabilidade aprendam um ofício ou ajudem na subsistência familiar de forma digna e regulamentada. Para esse grupo, o trabalho, quando bem monitorado, seria uma ferramenta contra a ociosidade e o ingresso na criminalidade.
O Trâmite Legislativo
Qualquer alteração nesse sentido exigiria a aprovação de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) e alterações profundas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Analistas políticos avaliam que a proposta enfrentaria uma das maiores resistências da história recente no Congresso Nacional, além de possíveis questionamentos no Supremo Tribunal Federal (STF) por violar cláusulas pétreas de proteção social.













