Relatório da CNT Aponta Minas Gerais com Menor Índice de Segurança em Infraestrutura Rodoviária do Sudeste

Painel ‘Rodovias que Perdoam’ indica que 30,9% da malha viária estadual possui baixo nível de proteção em caso de falhas mecânicas ou humanas. Deficiências estruturais geram incremento de 34,8% nos custos operacionais logísticos de transporte em junho de 2026.

Belo Horizonte/Geral — A Confederação Nacional do Transporte (CNT) formalizou a divulgação dos resultados consolidados do Painel Rodovias que Perdoam, indicador técnico desenvolvido para mensurar a capacidade de resiliência e mitigação de danos graves na infraestrutura de transporte terrestre do país. No recorte regionalizado da região Sudeste, o estado de Minas Gerais figurou com os piores indicadores estatísticos de segurança viária. O diagnóstico aponta que quase um terço da malha asfáltica sob fiscalização local carece de dispositivos elementares de amortecimento de acidentes, cenário que repercute de forma direta na severidade de colisões automobilísticas em 2026.

Análise Comparativa e Telemetria de Indicadores Regionais

A metodologia do índice avalia a configuração de engenharia das rodovias (geometria de pistas, áreas de escape, sinalização passiva e defensas metálicas), classificando-as pela habilidade de resguardar a vida de condutores perante erros operacionais ou falhas mecânicas imprevistas. A estratificação dos dados da CNT evidenciou uma acentuada assimetria entre as unidades federativas do Sudeste:

  • Minas Gerais: Registra apenas 22,4% de suas extensões viárias classificadas com alto índice de segurança. O nível intermediário engloba 46,7% da malha, ao passo que a faixa de criticidade severa (baixo nível de proteção) atinge 30,9% do território;
  • São Paulo: Lidera o ranking de proteção viária com 67,6% de trechos qualificados no patamar de alta segurança, fixando a faixa de risco mínimo em escassos 4,7%;
  • Rio de Janeiro & Espírito Santo: Apresentam, respectivamente, 52,2% e 23,8% de suas extensões estruturadas na faixa superior de proteção contra impactos graves.

De acordo com o corpo técnico da CNT, a fragilidade estrutural das vias mineiras justifica-se por um passivo histórico de engenharia associado à densidade e fluxo de tráfego. Os dados censitários revelam que 87,9% da malha asfáltica estadual é composta por pistas simples, com fluxo bidirecional sem barreira física central de concreto. Adicionalmente, 55,1% dos trechos examinados não dispõem de faixas de acostamento pavimentadas, 46,4% ostentam traçados geométricos (raios de curvas e inclinações) avaliados como ruins ou péssimos, e 25,3% das curvas de alta periculosidade não recebem sinalização de advertência vertical regulamentar. A confederação isolou 138 pontos de falha crítica ativa no estado, caracterizados por processos erosivos de taludes, crateras na faixa de rolamento e pontilhões com estreitamento de pista.

Impacto Macroeconômico e Desigualdade entre Modais Públicos e Concedidos

A deterioração física e a obsolescência viária geram reflexos transversais na economia nacional, considerando a posição central e estratégica que Minas Gerais ocupa nos corredores logísticos de escoamento de safras e insumos industriais. Trafegar pelo asfalto mineiro em condições adversas impõe um acréscimo médio de 34,8% no custo operacional do frete, impulsionado pelo consumo excessivo de óleo diesel, desgaste prematuro de sistemas de suspensão e componentes de frenagem, além do atraso no cumprimento de cronogramas de entrega. O departamento de macroeconomia da CNT estima que a neutralização dos defeitos físicos demandaria um aporte orçamentário centralizado de R$ 15,84 bilhões.

O painel discriminou ainda os resultados de acordo com a natureza da gestão de tráfego, opondo os corredores privatizados (sob concessão) aos eixos administrados diretamente pelo poder público:

  • Malha sob Concessão Privada: Perfaz um índice de 60,2% de trechos altamente protegidos, restringindo a faixa crítica a 2,5%;
  • Malha sob Gestão Pública (DNIT/DER-MG): Apresenta apenas 1,5% de extensão com alto índice de segurança, retendo 46,6% das vias no patamar de baixo nível de proteção.

Contraponto Institucional das Autarquias de Trânsito

Instado a se manifestar acerca do teor dos dados apresentados pela CNT neste meio de ano de 2026, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) contestou a modelagem de amostragem por meio de sua nota oficial. O órgão federal sustentou que gerencia a trafegabilidade por meio do Índice de Condição da Manutenção (ICM), cuja leitura de abril de 2026 indicou que 89% da malha sob sua tutela direta em Minas Gerais encontra-se em condições adequadas de tráfego (sendo 62% bom e 27% regular). O DNIT reiterou que programou o investimento de R$ 655,1 milhões em contratos continuados de conservação e sinalização (Programa BR-Legal) para o exercício de 2026.

Por sua vez, o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER/MG) ponderou, por meio de nota de esclarecimento, que as métricas universais adotadas pela CNT falham ao desconsiderar variáveis locais intrínsecas, tais como o ano de concepção dos traçados históricos, a tipologia geológica do solo de sub-base, a complexidade de relevo serrano e os regimes fluviométricos sazonais de cada comarca. A autarquia estadual aditou que prevê a aplicação de um aporte orçamentário de aproximadamente R$ 800 milhões em operações de recapeamento e manutenção preventiva das rodovias estaduais ao longo do ano corrente de 2026. O monitoramento de acidentes nos 8 eixos rodoviários classificados com 100% de letalidade e insegurança (incluindo trechos da BR-464 e MG-308) permanecerá centralizado junto às Polícias Rodoviárias no decorrer do segundo semestre.

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